A ADUFU — Seção Sindical manifesta seu mais profundo pesar e sua mais veemente indignação diante do brutal assassinato da professora Juliana Santiago, ocorrido no Centro Universitário Aparício Carvalho, em Porto Velho (RO). A docente foi morta enquanto exercia sua atividade profissional, no espaço que deveria ser dedicado à produção do conhecimento, ao pensamento crítico e à formação humana. O que deveria ser ambiente de trabalho, diálogo e construção coletiva transformou-se em cenário de barbárie.
Não se trata de um fato isolado. Não se trata de uma fatalidade. Trata-se da expressão concreta de uma estrutura social que historicamente autoriza, naturaliza e reproduz a violência contra as mulheres. Trata-se da evidência cruel de que os corpos das mulheres não estão seguros, nem mesmo em seus locais de trabalho. As mulheres seguem sendo alvo de agressões, perseguições e mortes simplesmente por existirem enquanto mulheres em espaços ainda profundamente atravessados por relações desiguais de poder.
A violência que atinge as mulheres não respeita fronteiras: ela se manifesta nas ruas, nas casas, nas redes sociais e, como vemos mais uma vez, nos ambientes de trabalho e nas instituições de ensino. O assassinato de Juliana Santiago enquanto desempenhava sua função docente é um ataque não apenas à sua vida, mas à autonomia intelectual das mulheres, à sua presença nos espaços públicos e à própria ideia de educação como prática emancipatória. É uma tentativa brutal de reafirmar hierarquias de gênero por meio do terror.
Não aceitaremos a normalização dessa realidade. Não aceitaremos discursos que relativizem ou individualizem o problema. É urgente que as instituições assumam responsabilidade ativa na construção de ambientes seguros, com protocolos eficazes de prevenção e enfrentamento à violência de gênero, com canais de denúncia que funcionem, com políticas permanentes de formação e com posicionamentos firmes diante de qualquer manifestação de misoginia. A omissão também é forma de violência.
A ADUFU reafirma seu compromisso inegociável com a defesa da vida das mulheres, com a igualdade de gênero e com o enfrentamento radical a todas as formas de opressão. Transformar o luto em luta é imperativo. Cada vez que uma mulher é assassinada, toda a sociedade falha, e nós não permaneceremos em silêncio.
Expressamos nossa solidariedade à família, às colegas e aos colegas, às estudantes e aos estudantes da professora Juliana Santiago. Que sua memória seja honrada com justiça, responsabilidade e mudanças concretas que impeçam que outras mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência de gênero.
Uberlândia, 11 de fevereiro de 2026.
Diretoria Executiva da ADUFU, gestão Unificar as Lutas


