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Nota de Apoio da ADUFU à greve na Universidade do Distrito Federal (UnDF)

A ADUFU – Seção Sindical, gestão Unificar as Lutas, expressa todo apoio à greve deflagrada pela comunidade acadêmica da UnDF, que combate a falta de condições dignas de trabalho e de ensino, a falta de diálogo, de democracia interna e o autoritarismo do Governo do Distrito Federal, de Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão (Progressistas) e da gestão de uma reitoria pró-tempore, cujo mandato dura mais tempo que o inicialmente previsto.

Mais do que uma estrutura institucional formal, a universidade constitui-se como um espaço histórico de produção, circulação e crítica do conhecimento, cuja essência reside na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Não se trata, portanto, de um arranjo administrativo voltado à mera certificação ou oferta de cursos, mas de uma instituição complexa, sustentada por práticas acadêmicas que articulam formação intelectual rigorosa, investigação sistemática e compromisso social.

A descaracterização desses princípios implica a diluição do próprio conceito de universidade. Modelos institucionais que restringem sua atuação à dimensão do ensino, desprovidos de condições efetivas para o desenvolvimento da pesquisa e da extensão, não apenas empobrecem a formação oferecida, como também comprometem a função estratégica que a universidade exerce no desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e democrático da sociedade.

A ADUFU – Seção Sindical entende que a universidade é, antes de tudo, uma comunidade acadêmica viva, formada por docentes, estudantes e técnicos/as, cuja atuação coletiva se orienta pela autonomia intelectual, pela liberdade de cátedra e pelo compromisso com a produção de conhecimento crítico. Nesse sentido, não há universidade possível onde não se garantam condições materiais, institucionais e políticas para o exercício pleno dessas atividades.

O caso da UnDF suscita, assim, preocupações substantivas quanto à conformação de um modelo que pode tensionar, e eventualmente esvaziar, os fundamentos que definem a universidade enquanto instituição. A adoção de formatos que fragilizem a tríade ensino-pesquisa-extensão, que limitem a autonomia acadêmica ou que reduzam o papel da universidade à formação instrumental imediata deve ser objeto de crítica rigorosa por parte da comunidade acadêmica e da sociedade.

Reafirmamos que a universidade não se define por suas paredes, seus edifícios ou sua nomenclatura, mas pela densidade intelectual, pela vitalidade crítica e pelo compromisso público que a atravessam. Onde esses elementos não se realizam plenamente, o que se tem não é universidade em seu sentido substantivo, mas sua forma esvaziada.

Todo o nosso apoio à comunidade acadêmica da UnDF!

Uberlândia, março de 2026.