ADUFU - Seção Sindical do ANDES
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TR 11 Combater o golpe, defender a universidade, a democracia e a liberdade de Lula: constituir comitês na IES

12/07/2018

O 63° CONAD do ANDES-SN, realizado em Fortaleza/CE, entre os dias 28 de junho e 01 de julho, foi palco de intensos debates em torno da categoria docente e da conjuntura política e, mais uma vez, ficou demonstrado que segmentos internos alimentam o sectarismo e a intransigência. Entre os temas o que mais acirrou os ânimos de companheiros e companheiras foi a prisão ilegal do Presidente Lula. No Conselho a polêmica foi materializada no Texto 11, intitulado “Combater o golpe, defender a universidade, a democracia e a liberdade de Lula: constituir comitês na IES “, apresentado pelo coletivo Renova ANDES, a qual indicava ao sindicato a caracterização do Golpe sofrido pela Presidenta Dilma Rousseff, em 2016, e a formação de Comitês de Luta Contra o Golpe, pela Democracia e Lula Livre.



De um modo geral, os campos políticos que disputaram o debate se concentraram na supressão ou na manutenção do texto.

Os argumentos defendidos por aqueles que sustentavam o texto são de que a democracia está sob ameaça, o judiciário tem atuado fortemente aos ataques democráticos de cidadãos e cidadãs, ataques as universidades e a autonomia docente. No mesmo sentido, foi argumentado que o Golpe aprofundou as ofensivas aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e a precarização dos direitos sociais. Logo a prisão do presidente Lula simboliza esse momento de perdas de direitos e a chance de construção de uma saída pela via eleitoral não se concretizará, na medida que se afasta do pleito o principal candidato nas intenções de votos.

Setores que defendem a supressão do texto argumentaram que os governos Lula e Dilma são frutos de uma política de conciliação de classes e que os sucessivos erros conduziram a atual conjuntura e não há nada que indique qualquer ruptura institucional, ainda, no mesmo sentido, sustentaram que a política dos governos PT foi desastrosa e de supressão aos direitos da classe trabalhadora. No plano mais técnico também foi defendido que não caberia ao CONAD, um conselho de ADs, fazer uma revisão do plano de lutas da categoria ou que a proposta de construir comitês por Lula Livre não reproduziriam de fato os interesses da categoria. 



A negação da TR sustentada por esses setores colabora com o sectarismo e isolacionismo nas lutas sociais, situação que dificulta a ampliação do debate e não assegura uma universidade que possa combater e enfrentar o golpe que restringe direitos sociais, persegue professores e professoras, alunos e alunas, criminaliza movimentos sociais. A decisão se distancia ainda mais da base na medida que o debate tem sido amplamente discutido nos cursos sobre o “Golpe de 2016”, que se proliferam nas universidades brasileiras.

A realidade é que o golpe se aprofunda ainda mais, os cortes de verbas ameaçam a suspensão de serviços e/ou o fechamento de unidades e o fim dos investimentos na expansão e melhoria da universidade. Infelizmente a decisão assumida pelos grupos sectários no CONAD isola o ANDES no debate do golpe, nas lutas da categoria e abre espaço e permite que setores conservadores se apropriem da narrativa de negação do golpe e permitam que a saída neoliberal se apresente como a única e viável como projeto eleitoral. 


Texto: Eduardo Giavara

Fotos e Vídeo: Letícia França