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Secretaria de Formação Sindical da gestão Prosseguir na Luta projeta ações para o biênio

09/11/2021

O Secretário de Formação Sindical, professor Edilson Graciolli, comenta sobre as perspectivas e projetos em torno da formação sindical da categoria docente da UFU.


A gestão "Prosseguir na Luta" tomou posse da Diretoria Executiva da ADUFU - Seção Sindical no dia 04 de outubro de 2021 e conta com um grupo de professores/as empenhados/as na defesa dos direitos da categoria docente da UFU. O professor Edilson Graciolli, Secretário de Formação Sindical, concedeu entrevista ao setor de Comunicação da ADUFU sobre o que pretende organizar e executar em torno da temática da formação sindical.


Comunicação ADUFU - Quais ações a gestão pretende encampar pensando na formação sindical da categoria docente?

É da natureza do movimento sindical, em primeiro lugar, ser capaz de defender os interesses do conjunto de sua categoria. Eu estou enfatizando este aspecto do conjunto, porque a nossa categoria é formada por vários segmentos: temos o ensino básico técnico e tecnológico, o magistério superior, sindicalizados na ativa, sindicalizados já aposentados, então precisamos ter esta habilidade, a de olhar para a complexidade do nosso grupo. O sindicalismo, por definição, precisa ser corporativo, no aspecto mais positivo deste termo. A categoria docente hoje não é a mesma de quando eu entrei na universidade, em 1993, não é a mesma que conquistou o atual patamar de carreira docente e de interação com a sociedade. Então, nós temos que estar atentos, atinados e com muita perspicácia e amplitude para não apresentarmos para a categoria docente esquemas prontos. Portanto, temos que conhecer a nossa base.


Comunicação ADUFU - Professor, com toda certeza, para se planejar ações sindicais de uma categoria é preciso conhecê-la. Como fazer isso, na sua visão?

Nós precisamos ser coerentes com o conhecimento científico. A Ciência Política, a Sociologia, que são as áreas de onde eu venho, nas quais eu atuo, elas têm lastro científico e, portanto, nós precisamos utilizar esses conhecimentos para conhecer o perfil da nossa categoria docente. Necessitamos de uma pesquisa sobre o perfil da categoria docente. Eu tenho uma hipótese, uma desconfiança, de que a nossa taxa de sindicalização, na ADUFU, é muito menor do que já foi. Penso que este percentual vem decaindo. Eu diria que desde 2007, quando houve o Reuni, a categoria docente mudou muito o seu perfil, sob vários aspectos: essa categoria encontra uma estrutura de carreira pronta e isso não caiu do céu, isso foi resultado de conquistas, de lutas; a criação da classe de Associados, a possibilidade de se chegar a Titular por defesa de Memorial ou Tese original, a possibilidade do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), essas conquistas não foram encabeçadas pelo nosso sindicato nacional. A primeira ação que nós teremos, portanto, será um diagnóstico sobre a categoria docente. Nenhuma ação política pode ser feita sem planejamento, e nenhum planejamento pode existir sem diagnóstico. Esta pesquisa já está sendo dialogada com outros docentes e logo será executada.


Comunicação ADUFU - Na sua opinião, como estabelecer um diálogo efetivo com os docentes que ainda não conhecem o movimento sindical?

Esta pesquisa cumpre de imediato este papel: dar a possibilidade para que conheçamos verdadeiramente as expectativas e o perfil dos docentes da UFU. Vou te dar um exemplo. Eu ingressei na UFU em outubro de 1993, na primeira classe da carreira docente, professor auxiliar, na qual só precisávamos ter a graduação. Progressivamente, fui avançando na carreira por meio do PICD, um programa institucional de capacitação docente. Isso não existe mais hoje. Quer dizer que ao docente que ingressar atualmente na universidade é transferida a responsabilidade, é terceirizado o ônus da própria qualificação. Isso faz com que o perfil mude. Então, precisamos conhecer este novo docente. Outra forma de conhecê-lo é por meio de atividades específicas de formação sindical, que não serão pensadas a partir de uma cartilha pronta que venha de algum lugar de cima.


Edilson Graciolli possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1990), mestrado em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (1994), doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1999) e pós-doutorado em Sociologia na Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, campus Araraquara (2008).