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Professoras da UFU premiadas nacionalmente: conheça iniciativas de mulheres que transformam a educação pública em Uberlândia

12/02/2019


Reportagem: ADUFU - Seção Sindical


  

À esquerda, professora Daniela Franco Carvalho. À direita, professora Luciana Muniz

Arquivo ADUFU


No final de 2018, duas professoras da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) foram premiadas nacionalmente.

Daniela Franco Carvalho, professora do curso de Biologia, foi congratulada com o Prêmio Professor Rubens Murillo Marques, da Fundação Carlos Chagas, que reconhece iniciativas transformadoras no âmbito das licenciaturas brasileiras. O seu projeto, intitulado "Cajón: estratégia interventiva para compartilhamento de emoções em sala de aula", reconhece a importância da conversa, da presença, do reparar e do reconhecer-se no outro.

"É só por meio do afeto que conseguimos, de fato, acessar aos estudantes. Eu percebi que quanto mais eu me envolvia de modo genuíno com os meus alunos, com a vivência particular de cada um, com a dor de cada um, mais o meu trabalho funcionava. O professor sair de um patamar de exercício do poder, de avaliação do outro, facilita o afeto mútuo, torna a situação mais equânime", revela Carvalho, que encontrou em um instrumento musical a brecha para a humanização de sua prática docente.

Ela ainda aponta que o prêmio representa o reconhecimento das licenciaturas e este é o seu diferencial: uma fundação que é importante no cenário nacional ter um prêmio exclusivo, que valoriza as licenciaturas.

Luciana Muniz , professora da Escola de Educação Básica da UFU, a ESEBA, foi homenageada com o Prêmio Professores do Brasil, congratulação importante do Ministério da Educação (MEC), de reconhecimento do trabalho de professores de escolas públicas que contribuem para o enriquecimento do processo de ensino aprendizagem.

De acordo com Muniz, o projeto premiado, intitulado "Diário de ideias: linhas de experiências", apresenta uma possibilidade efetiva de trabalho com a leitura e a escrita nas escolas, como via de expressão própria das crianças, de serem atuantes e protagonistas da sociedade. Além disso, propõe uma educação dialógica, de atuação com o conhecimento na sociedade, de forma intencional, ativa e crítica.


Conhecendo o Diário de Ideias


   

Troféus, medalha e arquivos do projeto

Arquivo ADUFU


A partir de registros dos alunos e das alunas, foram realizadas semanalmente rodas de conversas sobre experiências, ideias e sentimentos. A escrita e a leitura do mundo estão presentes no cotidiano da sala de aula e dinamizam as ações no contexto da escola.

Muniz compreende que o processo favoreceu a efetiva aprendizagem da leitura e da escrita das crianças do primeiro ano do Ensino Fundamental, como modos de atuação no mundo, assim como a experiência dialógica exercida no contexto da sala de aula.

Além desta aprendizagem, a professora revela que o projeto favoreceu o desenvolvimento da subjetividade, do autoconhecimento e de uma experiência didática com foco na autoria e no protagonismo das crianças no processo de ensinar e aprender.

Os trabalhos foram apresentados para os professores e as professoras participantes do Prêmio e para a equipe formadora do MEC, no Rio de Janeiro, em dezembro do último ano.

"Tivemos a oportunidade de conhecer a diversidade de experiências didáticas realizadas em cada região do Brasil. Realizamos visitas à Vila Olímpica, com palestra do jogador de vôlei Giovane, fizemos uma visita ao Museu do Amanhã, vivenciamos um momento de formação com professores parceiros do MEC e presenciamos o momento da entrevista final, com professores da Comissão Nacional de Avaliação do Prêmio. No último dia, tivemos a Cerimônia de Premiação", conta Muniz.


Como o cajón transformou uma disciplina


            

                Instrumento percussivo cajón

                Banco de Imagens (Pixabay)

Não é de hoje o desafio ao comum proposto pela professora Daniela Carvalho, mas desde o início de seu trabalho docente. "Já passei por momentos extremamente complexos desafiando a prática do comum no ambiente acadêmico. Eu já disse várias vezes: 'eu não vou tolerar no ambiente da sala de aula o desrespeito à fala, ao corpo ou à ação de um colega'. A resistência é algo que permeia a minha vida e o projeto é um processo formativo para os alunos e, também, para mim", diz.

Foi a partir do pandeiro, em uma de suas aulas de percussão com o pandeirista Manoel, que Daniela foi apresentada ao cajón. "Quando ouvi o cajón pela primeira vez achei que era o instrumento que me ajudaria a tornar a minha aula uma festa", conta Carvalho.

O conjunto de aulas, que são verdadeiras festas, compõe a disciplina optativa "Ciência e Mídia", inspirada em conceitos do linguista russo Mikhail Bakhtin, na teoria da sociedade do consumo de Zygmunt Bauman e na filosofia da diferença. O objetivo da disciplina é compreender qual a visão preferencial de mundo é trazida pela mídia e observar como a ciência legitima esta visão, este padrão. Nas aulas, a professora pede aos estudantes que compartilhem com os seus colegas de turma alguma memória que reverbere neles tal qual o som do cajón.  

Carvalho esclarece em artigo sobre o prêmio, publicado no Portal da Fundação Carlos Chagas, que o cajón compõe a disciplina Ciências e Mídias em três momentos: 1) livre, levando uma história para ser contada a partir de um objeto que faça referência àquilo que reverbera no sujeito; 2) uma fotografia com um dizer de própria autoria sobre a imagem e 3) um texto autoral.

"Muitos objetos que evidenciam o vivido são apresentados, possibilitando um diálogo sobre as emoções e a empatia da relação com os outros", completa.

A ADUFU - Seção Sindical parabeniza as professoras Daniela e Luciana pelas iniciativas transformadoras e reafirma o seu compromisso com a educação pública, gratuita, laica e de qualidade.