ADUFU - Seção Sindical do ANDES
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Primeiro de maio e nada a se comemorar

01/05/2019

Benerval Pinheiro Santos

Presidente da ADUFU - Seção Sindical


Para cada comemoração, uma história, uma luta, uma resistência, um desafio. Não é diferente na data em que se celebra o dia das trabalhadoras e dos trabalhadores. O primeiro de maio, em 2019, tem um significado importante para todos e todas, uma vez que está cercado pelo conservadorismo e ataque aos direitos orquestrados pelo governo de Bolsonaro, que é uma versão piorada do golpista Temer. Muito já se perdeu e o futuro não é promissor.

Podemos pontuar retrocessos e retiradas de direitos para toda a classe trabalhadora e, também, para a categoria docente. De modo mais geral, o presidente quer aprovar a todo custo a Reforma da Previdência, que compromete a aposentadoria dos mais pobres e impacta negativamente a vida de qualquer indivíduo que trabalha ou trabalhará algum dia. E para isso já acena com emendas parlamentares de 40 milhões de reais para que deputados e deputados votem favoravelmente à reforma.

De modo mais específico, refletindo sobre a carreira docente, a intenção do governo é desmontar a universidade pública, atacar os cursos ligados às humanidades e implementar um projeto calcado nos ideais da vigília e da punição aos professores e professoras, que observam a sua liberdade de cátedra cada vez mais ameaçada. Não nos enganemos, essas cortinas de fumaça desviam a atenção para um projeto  neoliberal já bem conhecido: sucatear o que é publico e de qualidade, para vender barato ao privado.

É pensando na gravidade das ações e decisões do novo governo que a ADUFU - Seção Sindical atua na construção de diferentes coletivos empenhados em combater a Reforma da Previdência e em proteger, defender e garantir os direitos humanos. Exemplo disso é a Frente Regional Contra a Reforma da Previdência, que reúne as principais centrais sindicais periodicamente, desde o mês de março, articulando proposições objetivas contra a Reforma. Além de nos posicionarmos veementemente contra a Reforma da Previdência de Bolsonaro e defendermos uma educação gratuita, laica, pública e de qualidade, necessitamos dar respostas aos absurdos ataques feitos pelo atual governo aos sindicatos e à categoria docente.

Em 1º de março, Bolsonaro assinou uma Medida Provisória (MP 873/2019) que fere a autonomia da organização sindical e impede que a contribuição sindical do/a trabalhador/a seja descontada diretamente em folha de pagamento: uma clara tentativa de enfraquecimento do movimento sindical. Em 29 de março, anunciou corte de 42,27% no investimento em ciência, tecnologia e inovação, colocando em risco a manutenção de mais de 11 mil projetos e 80 mil bolsas do CNPQ. Mais recentemente, ontem, 30 de abril, o recém-empossado Ministro da Educação, Abraham Weintraub, declarou que vai cortar recursos de universidades que não apresentarem desempenho acadêmico esperado e, ao mesmo tempo, estiverem promovendo "balbúrdia". Questionado sobre o que seria "balbúrdia", respondeu: "Sem-terra dentro do câmpus, gente pelada dentro do câmpus". Vê-se que o atual Ministro de Bolsonaro desconhece a realidade cotidiana das universidades públicas brasileiras, as responsáveis por desenvolverem ensino, pesquisa e extensão de qualidade. É necessário reforçar que 99% das pesquisas em nosso país são desenvolvidas em universidades públicas. E a maioria delas, nas Universidades federais. Todos os fatos foram publicados pela mídia, que não cumpre o seu papel de zelar pela democracia, apontando os erros do governo e cobrando o cumprimento do Plano Nacional de Educação, documento com indicações, ações e metas a serem executadas e concluídas.

Tendo em vista o difícil cenário político, econômico e social no qual se encontra o país, devemos reafirmar a importância da organização sindical, da atuação política e da defesa da liberdade de ensinar e aprender. Hoje ocorrem por todo o Brasil atos de denúncia aos retrocessos do atual governo contra a classe trabalhadora.

Em Uberlândia-MG, vamos celebrar o dia das trabalhadoras e dos trabalhadores e manifestar o nosso repúdio à Bolsonaro e ao seu projeto de retirada de direitos a partir das 9h, na Praça Urias Batista dos Santos, no bairro Umuarama, com um ato público inter-político-religioso.

            Unam-se a nós, juntos somos fortes. "Ninguém solta a mão de ninguém!".