ADUFU - Seção Sindical do ANDES
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PORQUE EU APOIO A GREVE DOS CAMINHONEIROS E CAMINHONEIRAS NO BRASIL*

28/05/2018

Bom dia Caminhoneiros e caminhoneiras que estão hoje resistindo mais um dia às dificuldades de transportar esse país e para esse país diante de tantas adversidades no dia a dia das estradas.


Eu, que tive a oportunidade de dedicar meu tempo de estudo no Mestrado à condição de trabalho dos caminhoneiros e caminhoneiras no Brasil, depois de análises distorcidas, ou no mínimo rasas e sem respaldo de realidade, ouvidas no dia de ontem (24/05/2018), me sinto na obrigação de manifestar meu apoio e minha solidariedade à greve dos caminhoneiros que resistem nas estradas do país nesse mês de Maio de Lutas. Esse apoio se deve à necessidade de entendermos melhor porque NÃO podemos sair convalidando a fala do governo e de alguns setores de que essa greve é uma greve Patronal (lockout). 

Precisamos, primeiramente, ter solidariedade a essa categoria que tanto se esforça e que tanto é explorada no cotidiano das estradas, aguentando longas e extenuantes jornadas de trabalho, baixos salários, baixíssimos fretes, tendo mais de 50% de seus profissionais autônomos e responsáveis por todo o custo de manutenção de um caminhão. Daqui já compreendemos porque essa greve não pode ser resumida à retórica de uma greve patronal. Essa greve é uma greve do ápice de um longo período de suportar a precarização do trabalho nas estradas no corpo de cada caminhoneiro e caminhoneira deste país. Chega sempre um momento que é preciso dizer um basta! E o aumento do diesel é somente a gota que faltava.

Precisamos, em seguida, entender o contexto do trabalho nas estradas brasileiras. Hoje o Brasil conta com uma complexa organização na indústria do transporte rodoviário de carga, tendo a terceirização como a principal responsável pela dificuldades de entender porque não é somente uma questão de lucro que está em jogo quando analisamos o preço do diesel. Hoje as grandes transportadoras terceirizam mais de 50% por cento de seu trabalho para caminhoneiros autônomos e pequenas transportadoras. E porque isso importa? Porque são esses, autônomos e pequenas transportadoras que arcam com todo o custo de colocar um caminhão para rodar nas estradas. Combustível, peças, manutenção, melhorias na qualidade do transporte, custos com acidentes e roubos de cargas, são suportados pelos elos mais fracos da cadeia produtiva da indústria do transporte. E é por isso que é, NO MÍNIMO, irresponsável deslegitimar essa luta.

A greve que vivenciamos neste mês de Maio de 2018, que atinge diretamente a população brasileira em seu cotidiano serve como um grito de esperança de que precisamos olhar com solidariedade para estes caminhoneiros e caminhoneiras que carregam o Brasil em seu caminhão. Precisamos entender que comida, roupa, transporte e tantas outras necessidades que temos em nosso cotidiano somente é viabilizada porque esses trabalhadores estão colocando diariamente suas vidas em risco, e muitas vezes de sua família que viaja junto no caminhão, para que possamos ter acesso a tantos bens de consumo e produção em nossas casas e em nosso trabalho.

Portanto, eu Alessandra, filha de caminhoneiro, advogada, mestre em sociologia e direito, estudante de ciências sociais, pesquisadora da temática indústria do transporte rodoviário de carga e da condição de trabalho dos caminhoneiros no Brasil APOIO essa greve! Greve legítima de uma categoria que passa cotidianamente as dificuldades nas estradas que não são visíveis aos nossos olhos na Cidade, mas que nos faz com essa greve entender que precisamos apoiá-los, e ir além, entender que essa greve pode ser o começo da luta COLETIVA DA SOCIEDADE BRASILEIRA por uma melhor condição de trabalho para os caminhoneiros e caminhoneiras no Brasil.


* Alessandra Freitas, advogada, mestre em Sociologia e Direito pela UFF, Graduanda em Ciências Sociais/ UFU, pesquisadora na temática Condição de Trabalho dos caminhoneiros e caminhoneiras no Brasil.


SOBRE A GREVE DOS CAMINHONEIROS,

A ADUFU-SS compartilha das opiniões expressadas pelo professor Filipe Mendonça nessa análise que ele publicou em seu blog e gentilmente nos autorizou a compartilhar.