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Opinião do/a jornalista: Pantanal e Amazônia estão em chamas e Governo Federal continua “Passando a Boiada”

25/07/2020

O território brasileiro sofre nos últimos três semestres com graves incêndios florestais de grandes proporções que destroem a nossa biodiversidade e causam prejuízos ambientais irreparáveis. Em 2019 foram contabilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE cerca de 162 mil focos de incêndios no país. Um aumento de 45% em relação ao ano de 2018. A Amazônia, o Pantanal e Mata Atlântica são os biomas mais prejudicados. Os incêndios são consequências de queimadas criminosas provocadas para expansão de pastagens.

De acordo com o INPE- em agosto de 2019, a Floresta Amazônica brasileira sofreu cerca de 60 mil focos de incêndios. A maioria deles, 29 359 (60,3%), foi detectada apenas no mês de agosto. Estima-se que mais de 906 mil hectares de território na Amazônia tenham sido perdidos para incêndios, no período de janeiro a agosto de 2019.

Em 2020 a Floresta Amazônia segue em chamas, registrou-se no bioma no mês de junho mais incêndios do que há 13 anos, com 2.248 focos. E a situação é ainda mais grave no Pantanal. Nos últimos sete meses as queimadas destruíram, no Pantanal, uma área equivalente a duas vezes o município de São Paulo. A quantidade de focos de calor no primeiro semestre deste ano na região do pantanal foi a maior já medida na história do INPE. No Mato Grosso do Sul foram registrados 3.623 mil focos de calor entre janeiro e julho. Isso significa um aumento de 150% com relação ao mesmo período de 2019. O Pantanal é maior área de várzea do planeta, uma reserva da biosfera e um patrimônio natural da humanidade pela Unesco.

O Governo Federal, como única resposta à pressão de investidores internacionais, publicou o Decreto Nº 10.424, de 15 de julho de 2020, que proíbe as queimadas por um período de 120 dias. Nem mesmo o Mandatário da República, Jair Bolsonaro, acredita que seu decreto surtirá algum efeito. Em uma de suas lives ele afirmou entre risos: “Se você proibir esses caras de tocar fogo, vamos supor até que chega o decreto lá. Uma coisa é chegar o decreto lá, né”. Ele afirmou ainda que “indígenas e cablocos” causam parte considerável desses incêndios.

A fala do mandatário, assim como seu “decreto placebo” demonstram, novamente, as claras intensões do atual Governo Federal em relação à proteção da biodiversidade brasileira.  Elas se resumem a “Passar a Boiada” como foi anteriormente expresso pelo Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao se referir à “oportunidade” de destruir a regulamentação ambiental enquanto a imprensa está ocupada com o Coronavírus.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, a quantidade de focos continua aumentando após o Decreto, apenas no Mato Grosso do Sul já houve mais de 660 focos de incêndios desde o último dia 16 de julho.


AMAZÔNIA BATE RECORDE EM DESMATAMENTO NO MÊS DE JUNHO. FOTO: VINÍCIUS MENDONÇA/IBAMA


Em entrevista ao Boletim Informativo da ADUFU “Linha de Frente”, em agosto de 2019, o professor do Instituto de Geografia da UFU, Sylvio Andreozzi, explicou que os incêndios nas florestas do Brasil são o resultado de um modelo de ocupação do território baseado numa lógica de ocupação através de uma frente de derrubada e de modificação do quadro natural. O objetivo é a implantação de um quadro de exploração econômica baseado em grandes extensões territoriais, os latifúndios: “A forma mais rápida para fazer a eliminação da floresta é através da provocação de incêndios. Isso tem um impacto ambiental extremamente elevado em todos os aspectos que nós podemos imaginar. Isso não é uma coisa que começou a acontecer agora, é uma incidência histórica, mas aumentou muito no mandado do atual presidente. E tem uma relação direta com as declarações e com a maneira com que os órgãos ambientais e todo o sistema de proteção ambiental passaram a ser tratados pelo atual governo.”

Andreozzi conta ainda que a modificação desse quadro está diretamente relacionada a uma modificação de comportamento. Ele afirma que primeiro é preciso resgatar um modelo de acompanhamento, por parte do Estado Brasileiro, que tinha um aparato que poderia funcionar, mas que foi sendo interrompido: “Sair desse modelo e utilizar modelos muito mais lógicos, muito mais eficientes, inclusive, do que simplesmente ocupar terra para que depois ela se torne valor especulativo. A ocupação da Amazônia para assegurar sua posse não está relacionada à derrubada da floresta, está relacionada ao controle do seu espaço e isso atualmente se dá de várias outras maneiras, inclusive pelo controle tecnológico desse espaço, o que vai sendo negado paulatinamente pelas políticas adotadas pelo atual governo.”

Nas imagens abaixo apresentamos informações e imagens, retiradas do próprio site do Ministério do Meio Ambiente, que relatam a importância mundial dos biomas Amazônia e Pantanal.