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Mais uma tragédia anunciada, causada por rompimento de barragens de rejeitos de mineração, provoca danos imensuráveis e assola o país

25/01/2019

Nesta sexta-feira 25, por volta das 13:30 horas, ocorreu o rompimento do complexo de barragens da mineradora Vale Do Rio Doce, no Córrego do Feijão em Brumadinho (MG), região metropolitana de Belo Horizonte. As barragens tinham o volume de 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, que agora estão sendo derramados sobre o Rio Paraopeba. Além do rastro de destruição e de morte, o abastecimento de milhares de famílias em mais de 48 municípios da Bacia do Paraopeba foi colocado em risco.

De acordo com as primeiras informações da Defesa Civil e da Prefeitura de Brumadinho, 182 pessoas foram resgatadas da lama tóxica e há sete vítimas fatais. A primeira estimativa dos Bombeiros é de que cerca de 300 pessoas estejam desaparecidas, só entre funcionários(as) da empresa Vale. Também há desaparecidos entre os(as) moradores(as)  e turistas das comunidades do Córrego Feijão e da Vila Ferteco, mas a quantidade de desaparecimentos entre essas pessoas ainda não foi estimada. O Inhotim, maior museu a céu aberto da América Latina, foi evacuado.


Antes e depois do rompimento do complexo de barragens - Fonte: Defesa Civil de Brumadinho


O desastre ocorre após três anos do maior crime ambiental do mundo, no que tange esse tipo de produção de mineração, com o rompimento da barragem do Fundão em Mariana/MG, que levou a morte de 19 pessoas e a destruição da Bacia do Rio Doce, afetando milhares de pessoas. O impacto ecológico, social e econômico foi tão grande que ainda há dificuldades de mensurá-lo. Dados do Greenpeace apontam para o aumento de 2.600% de concentração de manganês e de 400% de concentração de arsênio nas águas do Rio Doce, além de mais de 1.200 hectares de mata comprometidos com a poluição desses tóxicos.

O Ministério Público Federal em Minas Gerais processou por homicídio com dolo eventual (quando assume-se o risco de matar) 21 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR por causa do desastre com a barragem de Fundão em Mariana. O engenheiro da VogBR, Samuel Paes Loures, responde por apresentação de laudo ambiental falso.

Os danos ambientais causados por essas tragédias anunciadas são incalculáveis. A Samarco provocou a morte da Bacia Hidrográfica do Rio Doce em 2015, agora  o Rio Paraopeba corre o risco de ter o mesmo fim.

Existem 450 barragens de rejeitos de mineradoras só em Minas Gerais. Após a tragédia de Mariana nada mudou, no que diz respeito aos protocolos de segurança. O relatório da Agência Nacional de Águas (ANA), relativo às inspeções realizadas em 2017, aponta que 45 barragens no Brasil foram consideradas vulneráveis a rompimentos, por apresentarem rachaduras, vertedouros quebrados, infiltrações, buracos e falta de documentação que comprove a segurança dos reservatórios.

O poder público e as empresas parecem que seguem dando as costas para as consequências da exploração mineral, o que resulta hoje em mais um crime que afeta drasticamente a natureza e a vida da população. As consequências de um acidente criminoso, que se repete pela mesma companhia empresarial, são imensuráveis, provando sérios problemas de capacidade técnica e irresponsabilidade com o presente e o futuro. Enquanto isso, a posição desse novo governo é flexibilizar a legislação ambiental, rotular o Ibama como “fábrica de multas” e discutir a possibilidade de auto-licenciamento para as mineradoras.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), publicou uma nota de solidariedade na qual lamenta que o lucro esteja acima de vidas humanas. “Denunciamos o atual modelo de mineração, com empresas privatizadas e multinacionais que visam o lucro a qualquer custo que afeta a vida de milhares de pessoas. Há apenas 3 anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, mais um crime contra a vida é fruto desse modelo que apenas provoca tragédias anunciada [...]. O Movimento dos Atingidos por Barragens reafirma que está com os trabalhadores e famílias atingidas nesse momento difícil e segue firme em luta pelos direitos dos atingidos.”  O MBA afirma ainda que apesar das inúmeras denúncias que vêm sendo feitas, desde 2015, pelo risco de rompimento de barragens do Complexo, ainda assim, a Mina Córrego do Feijão teve sua ampliação aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental em dezembro do ano passado, 2018.

Em nota divulgada pela mineradora Vale do Rio Doce, sobre o rompimento da barragem em Brumadinho, a empresa admitiu a possibilidade de vítimas no episódio. “Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas”. Até o momento, a prefeitura de confirmou mortes no local. O grupo ainda não deu nenhuma explicação sobre as causas do acidente. Os feridos estão sendo encaminhados para o Hospital João XXIII. As principais preocupações do IBAMA, dos Bombeiros e da Defesa Civil, no momento, é com o resgate de vítimas e a proteção de pontos de captação de água.

A ADUFU, Seção Sindical do ANDES - Sindicato Nacional dos e das Docentes das Instituições de Ensino Superior, manifesta profundo pesar e solidariedade às vítimas e seus(suas) familiares. Reivindicamos justiça e imediata punição aos culpados por mais essa afronta às brasileiras e aos brasileiros.



Texto: Cléber Couto e Letícia França