ADUFU - Seção Sindical do ANDES
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Projeto Future-se e a cultura do esforço

17/07/2019

Desde o final da última semana circulam pela imprensa brasileira informações sobre um novo programa do Ministério da Educação (MEC) de Bolsonaro. Intitulado "Programa de Reforma da Autonomia Financeira da Educação Superior Pública Federal", o documento foi feito a partir de estudos do Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Consultoria Legislativa da Câmara Federal.

Em resposta aos resultados dos estudos, o ANDES - Sindicato Nacional, na ocasião de seu 64º CONAD, lançou um Manifesto de Alerta em Defesa do Ensino Superior Público e Gratuito. Nele, os/as docentes pontuam as três principais intenções do novo programa do governo, a saber: 1) acabar com a carreira pública dos servidores federais da educação; 2) tirar do Estado a responsabilidade de financiar a educação superior pública e 3) reverter a lógica inclusiva de educação, que imperou no Brasil nos últimos governos progressistas.

Na manhã de hoje, 17 de julho, por meio de um pronunciamento o Secretário de Educação Superior do MEC, Arnaldo Barbosa de Lima Junior, afirmou que o governo "quer exportar uma indústria de conhecimento" e que "a educação pública brasileira pode ser um produto de exportação". O programa trata de conceitos como empreendedorismo, produtividade, criação de startups e contratação de Organizações Sociais. No decorrer da transmissão ao vivo do pronunciamento do Secretário, internautas manifestaram a sua indignação com o novo programa. "O programa deveria se chamar Fature-se", disse um deles.

Antes do pronunciamento de Lima, a imprensa recebeu fichas que sintetizam o "Future-se" em três eixos: gestão, governança e empreendedorismo; pesquisa e inovação; internacionalização. O material deixa claro que a intenção do governo Bolsonaro é a de criar universidades e institutos empreendedores.

Para a ADUFU - Seção Sindical, o documento revela a incompreensão que tem o governo federal sobre a finalidade da educação superior pública brasileira, que é a de formar cidadãos e profissionais reflexivos e críticos e, não, a de abastecer irresponsavelmente o mercado do capital e do lucro desenfreado. Neste sentido, o sindicato posiciona-se contra a implementação do "Future-se", um projeto perverso de desmonte da educação pública, laica, gratuita e de qualidade. O projeto prova, ainda, que o atual governo que ocupa o MEC demonstra não entender nada de educação, nem de ensino superior.


ACESSE O PRONUCIAMENTO DO MEC
ACESSE O DOCUMENTO SOBRE O PROGRAMA ENVIADO À IMPRENSA