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Tá chegando em 100.000, mas vamos tocar a vida, diz Bolsonaro sobre mortes no Brasil por Coronavírus

08/08/2020

Durante uma live realizada ontem (07), no Facebook, o Mandatário da República comentou a proximidade da marca de cem mil mortes no Brasil por Coronavírus. "A gente lamenta todas as mortes…", disse. "Tá chegando em 100.000 talvez hoje [o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, também presente na live o corrige, diz que o número deve ser alcançado nesta semana], mas vamos tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema", completou Bolsonaro. Uma caixa de Cloroquina permanece em primeiro plano no vídeo. O presidente volta a fazer propaganda da droga.


O País perde 100 mil brasileiros e brasileiras. No mundo mais de 700 mil pessoas perdem suas vidas. E o presidente do Brasil continua alardeando desrespeito e falta de empatia àqueles(as) que perderam entes queridos e a nós que tentamos sobreviver. Ele segue propagando a desinformação e estimulando o Negacionismo de acordo com os interesses financeiros de seus "patrocinadores".


Também ontem, Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde - ONU, voltou a alertar em coletiva de imprensa sobre os perigos das fake news no combate à Pandemia. "A Covid-19 expôs como a desinformação representa uma das maiores ameaças de segurança do nosso tempo. Informações falsas podem se propagar mais rapidamente que o vírus", disse Adhanom.


A bala de prata como único tipo de munição capaz de matar o lobisomem foi uma metáfora usada pelo diretor-geral da OMS, em coletiva de imprensa no dia 3 de julho, para se referir a um remédio definitivo para a Covid-19. "Várias vacinas estão na fase três dos ensaios clínicos e todos nós esperamos que delas saiam vacinas eficazes para ajudar a impedir que as pessoas se infectem, mas, no momento, não há bala de prata e pode ser que nunca exista".


Cinco anos é o período normal para se desenvolver uma vacina, mas pesquisadores tiveram cerca de três meses para fazer isso durante a Pandemia.  A Universidade de Oxford desenvolveu uma das vacinas experimentais mais avançadas e promissoras contra a Covid-19.  Essa vacina produzida em parceria com o laboratório farmacêutico britânico AstraZeneca passa por provas, que começaram em abril, com cerca de 1000 voluntários(as) no Reino Unido. Ela também está sendo testada no Brasil, por meio de uma parceria com a Unifesp, e na África do Sul.


No dia 20 de julho Sarah Gilbert, líder da pesquisa da vacina junto a Adrian Hill, publicou uma nota em que afirmou. "Ainda resta muito trabalho por fazer antes de podermos confirmar que nossa vacina ajudará a fazer frente à pandemia de Covid-19, mas estes resultados iniciais são promissores". Ela admitiu que há limitações em seu estudo. "Não inclui pessoas de idade avançada nem pacientes com outras enfermidades relevantes nem populações diversas de diferentes países. Dos 1.077 participantes neste primeiro ensaio, 91% eram brancos, e sua idade média era de 35 anos". Outras lacunas também foram admitidas. "Ainda não sabemos qual a força que a reação imunológica precisa ter para garantir a proteção efetiva contra a infecção pelo SARS-CoV-2."


Sobre essa lacuna o biólogo espanhol David Gentil Gómez, que trabalha em Oxford no desenvolvimento da vacina explicou em entrevista ao jornal El País: "A variante original foi substituída em praticamente todo o planeta por outra com uma mutação característica que, segundo alguns estudos preliminares, poderia aumentar a carga viral nos pacientes. O que é alarmante é que, se os níveis do vírus forem muito mais altos, seria preciso que as vacinas gerassem maiores níveis de anticorpos. E isso pode ser um grande problema".


O laboratório AstraZeneca reconhece que essa vacina pode afinal não funcionar, mas, caso funcione, se comprometeu a fabricar mais de dois bilhões de doses com início no final do ano. Não encontramos informações sobre o prazo final para a fabricação de todas essas doses, mas o laboratório afirmou que 400 milhões delas estão reservadas à União Europeia.


Esperamos, torcemos... para que esse e outros dos 23 diferentes protótipos de vacinas que estão sendo testados em humanos em todo o mundo, segundo o registro da OMS, funcionem com o mais absoluto sucesso. Mas até que isso aconteça pedimos que todos e todas se atentem para as palavras de Tedros Adhanom. Ele pediu perseverança nas medidas que até agora deram resultado na contenção da pandemia, "O básico em saúde pública e controle de doenças: testes, isolamento, tratamento de pacientes e rastrear e pôr em quarentena os seus contatos. Para os cidadãos, máscaras, distanciamento seguro, higiene frequente das mãos e tossir de forma segura em relação aos outros". "Façam tudo", insistiu chefe da OMS.


Letícia França - Jornalista da ADUFU

*Esta seção é dedicada à exposição da opinião pessoal e das análises profissionais dos jornalistas da ADUFU-SS