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Arte Presente Contra a Fome: parceria entre ADUFU e docentes da Eseba envolve arte, cuidado e resistência

28/05/2021

Professores e professoras da área de Artes da Eseba, Escola de Educação Básica da UFU, desenvolveram a ação "Arte Presente Contra a Fome", somando esforços às iniciativas de cidadãos e entidades no combate à fome. A ação dialogou diretamente com a campanha "Comida no prato, vacina no braço", que está arrecadando alimentos não perecíveis para as cozinhas comunitárias de Uberlândia desde o início do mês de maio.

Enquanto a ADUFU está focada na arrecadação de alimentos não perecíveis, os/as docentes-artistas da Eseba se preocuparam com embalagens descartáveis com rótulos adesivos personalizados. A mensagem expressa pela composição visual dos rótulos tem referência nos movimentos e organizações que buscam na união e responsabilidade social, formas de cuidar uns dos outros e consistem, assim, em iniciativas que escapam às organizações previstas no sistema capitalista, criando resistências. Pautadas no princípio de responsabilidade social, tais formas de cuidado assumem papéis negligenciados pelo Estado, fortalecendo os vínculos sociais e atendendo às demandas elementares dos sujeitos em momentos de grande fragilidade.

Para melhor compreensão da ação artística e política realizada pelo grupo de docentes, conversamos com a professora Mariza Barbosa, que foi a responsável pela criação da composição visual que figura nos rótulos das embalagens:


ADUFU - As cozinhas comunitárias de Uberlândia necessitam constantemente de embalagens para montagem das marmitas que são distribuídas aos necessitados. Ocorre que as embalagens doadas pelos docentes da Eseba da área de Arte foram personalizadas com uma mensagem imagética e textual de solidariedade e afeto. Como surgiu essa ideia?


Mariza - Nosso grupo tinha o forte desejo de contribuir com as ações já existentes de combate à fome em nossa cidade, entendendo que a nutrição poderia se referir tanto à alimentação, para satisfazer necessidades do corpo, quanto à dimensão estética, estimulando sensações e provocando algum tipo de reflexão. Pensamos, então, que a doação de embalagens com a composição visual criada especialmente para esse contexto cumpriria a esse duplo objetivo. Para concretizarmos a ação que intitulamos "Arte Presente contra a fome", contamos com o apoio de colegas de diversas áreas de conhecimento da Eseba que colaboraram com recursos financeiros viabilizando a aquisição das embalagens. A ação, a que pretendemos dar continuidade, está em consonância com propostas artísticas que buscam meios cotidianos como estratégias para sua circulação na cidade e abordam as micropolíticas como mecanismos de pequenas transformações em contextos específicos. A mensagem trazida pela composição visual tem referência nos movimentos e organizações que buscam na união e responsabilidade social, formas de cuidar uns dos outros e consistem, assim, em iniciativas que escapam às organizações previstas no sistema capitalista, criando resistências.


ADUFU - A campanha "Comida no prato, vacina no braço" organizada pela ADUFU é uma espécie de extensão das ações de solidariedade voltadas às cozinhas comunitárias, que ocorrem há mais de um ano na ADUFU. Como você vislumbra a importância dessa parceria de doações (alimentos e embalagens)?


Mariza - Acreditamos que estas ações são muito importantes e, quando conseguimos fazer parcerias, ganham maior potência do que as ações realizadas de forma isolada. A campanha organizada pela ADUFU e todas ações e esforços para garantir alimentos para quem se encontra em momentos de grande fragilidade, evidencia ainda mais a importância dos movimentos sociais e dos sindicatos na estruturação social e na luta por uma sociedade mais justa, no cuidado com as pessoas.


ADUFU - Os sindicatos, movimentos sociais e populares, partidos políticos, ONG's, têm voltado suas ações nos últimos meses para o combate à fome, tema que seria da responsabilidade dos governos. Como você compreende este cenário?


Mariza - A necessidade da realização de ações como essas revelam a ausência de políticas públicas que garantam os direitos mais básicos aos/as cidadãos e cidadãs. Há um abandono da população pelos governos, que se isentam de seus deveres. Essas ações, pautadas no princípio de responsabilidade social, assumem papéis negligenciados pelo Estado, minimizando as consequências do abandono, fortalecendo os vínculos sociais e atendendo às demandas elementares da população. A pandemia potencializou as desigualdades e as injustiças sociais e infelizmente no Brasil, as iniciativas institucionais não são realizadas no sentido de enfrentamento da pandemia ou dessas injustiças, pelo contrário, promovem o agravamento da situação. Precisamos investir no diálogo para fortalecer ações de solidariedade, mas também buscar unidade nas ações de luta que exijam dos governos o cumprimento de seu dever. Isso porque o papel do Estado é intransponível, cabendo-lhe a efetivação de políticas púbicas que garantam os direitos da população.


As embalagens personalizadas foram direcionadas pela ADUFU - Seção Sindical para a Central de Movimentos Populares (CMP), que fará a distribuição para as cozinhas comunitárias da cidade.







* As imagens acima foram cedidas pelos docentes da área de Artes da Eseba.