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AG Universitária cobra posição da administração superior da UFU sobre a situação da universidade.

08/09/2017

Entidades promovem assembleia universitária

Após um longo tempo, foi realizada na noite de 5 de setembro, assembleia universitária da UFU. O evento que aconteceu no Centro de Convivência do campus Santa Mônica da universidade foi organizado pelo SINTET-UFU, representado pelo coordenador geral Mário Guimarães Júnior, pela ADUFU representada pela presidenta Jorgetânia Ferreira, Diretório Central dos Estudantes (DCE), representado por Julia Morais, e Associação de Pós-Graduandos (APG), representada pela coordenadora geral Alecilda Oliveira. O reitor Valder Steffen Júnior foi convidado para participar da assembleia, porém, alegou que participaria de uma banca no mesmo horário, não compareceu e nem enviou alguém para representá-lo.

Cadeira reservada ao reitor Valder Steffen Júnior ficou vazia por falta de representação. (Imagem: Guilherme Gonçalves)

Cada representante teve cinco minutos para expor o posicionamento de sua entidade. O primeiro a falar foi Mário Guimarães Júnior que falou sobre os efeitos do contingenciamento no orçamento já sentido na universidade. “A UFU teve 20 milhões de reais cortados de seu orçamento, e é óbvio que todas e todos da comunidade universitária sentirão as consequências. Por exemplo, os sanitários das bibliotecas que na chegavam a ser limpos três vezes ao dia, hoje, com muito custo são limpos uma vez”, afirmou o coordenador do SINTET-UFU.

Após a explanação de Mário Júnior, foi a vez de Alecilda Oliveira fazer suas considerações. A coordenadora geral da APG mostrou as incertezas que as alunas e alunos dos cursos de pós-graduação tem vivido. “Os alunos de pós-graduação tem vivido incertezas sobre suas bolsas. Não há certeza de quando serão pagas, se serão pagas, se serão renovadas”. Ela disse ainda que os cortes nas pesquisas tem atrapalhado muito o desenvolvimento científico no país. “O Brasil tem sofrido com a “fuga” de cientistas, que por não receberem o devido apoio no país tem migrado para outras nações”, completou a pós-graduanda.

Preocupados com os cortes de orçamento, discentes, docentes e técnicas e técnicos-administrativos em educação discutiram o futuro do ensino público. (Foto: (Guilherme Gonçalves)

Em seguida, Julia Morais, representante do DCE abordou os medos para o futuro da universidade pública. “Precisamos entender que os cortes promovidos em outras universidades estão dentro da UFU também. Falta até papel higiênico em boa parte dos blocos da UFU e os cortes no orçamento devem atingir outras áreas além da limpeza”. E é no avanço dos contingenciamentos que os receios se tornam mais graves. “Talvez, mesmo com os cortes os atuais alunos consigam se formar com um ensino público de qualidade, mas e as próximas gerações conseguirão? As gerações futura podem não ter essa oportunidade”, finalizou a estudante.

Por último, a presidenta da ADUFU, Jorgetânia Ferreira falou sobre as ações promovidas pelas entidades para que uma regressão no atual quadro de crise seja revertido. “Vivemos um momento muito complicado e é agora que a união se faz necessária, como vem acontecendo em todas as ações em conjunto das entidades aqui presentes”. A professora convidou todas e todos para se juntarem as lutas do Comitê Regional Contra a Reforma da Previdência e Trabalhista que reúne várias entidades de Uberlândia e região.

Comunidade universitária lotou o Centro de Convivência do campus Santa Mônica para um ótimo debate. (Foto: Guilherme Gonçalves)

Ao término das falas de cada representante, as participantes e os participantes da assembleia tiveram direito a uma fala de três minutos. Prevaleceu o discurso de resistência aos ataques promovidos há muito tempo pelo governo federal, e acelerados após a posse do golpista Michel Temer.

Alguns encaminhamentos foram aprovados. Assim, SINTET-UFU, ADUFU, DCE e APG darão prosseguimento a eles, incorporando-os a luta. Os encaminhamentos aprovados foram:

1 – Cobrar uma posição da administração superior da UFU sobre a situação da universidade.

2 – Que a reitoria publique uma nota sobre os efeitos do contingenciamento em cada setor da UFU.

3 – Que a UFU remaneje seus recursos sem que a assistência estudantil seja afetada.

4 – Contra a extinção do Núcleo de Atenção a Saúde do Servidor (NASS).

5 – Que a administração superior da UFU promova o debate nos conselhos superiores, antes da abertura de novas turmas de cursos de pós-graduação latu sensu com cobrança de mensalidades.

6 – Que a administração superior da UFU promova audiência pública para refletir em conjunto com a comunidade universitária os rumos administrativos do HC-UFU.

7 – Posicionamento contrário da assembleia universitária as Organizações Sociais da Saúde (OSS) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) como possíveis gestoras do Hospital de Clínicas.

8 – Que o Restaurante Universitário (RU) não seja fechado em nenhum dia letivo.

9 – Contra a perseguição e criminalização de estudantes que participam de atos políticos.

10 – Apoio a paralisação promovida pela ADUFU-SS e SINTET-UFU no dia 14 de setembro.

11 – Elaboração de um documento com todas as reivindicações aprovadas na assembleia universitária que será apresentado para a administração superior e conselhos superiores.

12 – Questionar a reitoria a respeito da ausência de debate sobre a abertura de cursos de pós-graduação lato sensu com cobrança de mensalidades.

13 – Propor a reitoria uma ação pública incisiva junto a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) para que atuem na modificação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2018 que diminui os investimentos em educação, ciência e tecnologia.

Guilherme Gonçalves/Imprensa Sintet-UFU