ADUFU - Seção Sindical do ANDES
Site Destaque

A opinião do jornalista: Por que ainda precisamos dizer o óbvio - democracia universitária e consulta eleitoral na UFU

28/08/2020

A consulta eleitoral para escolha do novo reitor da Universidade Federal de Uberlândia ocorre no dia 17 de setembro, remotamente. A Diretoria de Comunicação da universidade, cumprindo o seu papel e contribuindo para o processo democrático organizou entrevistas com os candidatos, que ocorreram nesta semana e foram transmitidas pelo seu canal no Instagram.


Em uma das entrevistas, um dos candidatos, quando questionado sobre a relação entre a consulta à comunidade universitária e a composição da lista tríplice, no que tange a nomeação, afirma que aceitaria ser empossado, mesmo que não seja vitorioso nas urnas. 


A nossa democracia universitária foi forjada no período de redemocratização, no final dos anos 1980, tendo sido legislada na Constituição Cidadã de 1988. Significa dizer que ao afirmar que, eventualmente, desrespeitaria o desejo legítimo de uma comunidade universitária, o candidato está se contrapondo aos valores que embasam a nossa recente democracia brasileira.


De 1988 até 2018, os ministros e presidentes eleitos respeitaram, salvo raras exceções, as listas tríplices construídas tendo como referência os processos eleitorais. Bolsonaro, no entanto, contrariou a regra algumas vezes, nomeando reitores-interventores, com o aval de seus ministros e atacando frontalmente a autonomia e a democracia universitárias. Até agora, para seis universidades foram empossados candidatos menos votados nas consultas democráticas. Trata-se de um governo autoritário e inimigo da intelectualidade, da ciência e dos pesquisadores e, por isso mesmo, opta por desrespeitar os maiores espaços de produção de ciência e tecnologia.


Corremos risco, portanto. Não simplesmente porque elegemos um presidente que nomeia não-eleitos. Mas porque temos um candidato que, caso não se eleja democraticamente, está disposto a bancar uma possível nomeação. Até quando será necessário dizer que os valores democráticos não são negociáveis? Até quando será preciso afirmar que o pacto democrático supera qualquer ímpeto individual?


Parece-me que será preciso dizer até que todos/as entendam: não aceitaremos nomeação de reitor que não for eleito.


Isley Borges - Jornalista da ADUFU

*Esta seção é dedicada à exposição da opinião pessoal e das análises profissionais dos jornalistas da ADUFU-SS