ADUFU - Seção Sindical do ANDES
Site Destaque

2021 com 21 milhões a menos no orçamento e Reitoria UFU parece não se importar

15/08/2020

O Ministério da Educação (MEC) anunciou, nesta semana, corte de 21 milhões no orçamento da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em 2021. A informação foi confirmada pelo Pró-Reitor de Planejamento e Administração da universidade, Darizon Alves de Andrade. Logicamente, não apenas o orçamento da UFU sofrerá cortes, mas o de todas as universidades federais, alvos de um governo obscurantista e negacionista.


Os cortes abrangerão as despesas discricionárias, ou seja, os custos com água, energia, contratação de funcionários terceirizados, compras de equipamentos, obras, reformas, financiamento de pesquisas e assistência estudantil. É nítido, portanto, que eles impactarão significativamente a dinâmica da UFU, que necessitará repensar as suas contas a partir da realidade imposta pela suspensão.


O portal Comunica UFU noticiou a retirada reproduzindo o posicionamento da Andifes. A manchete informa que "Corte no MEC pode deixar 'situação insustentável' nas universidades em 2021". Para o/a jornalista que redigiu a matéria, parece haver dúvidas sobre os impactos negativos de um corte de 21 milhões de reais que poderiam ser investidos para a efetivação de uma universidade pública, gratuita e de qualidade. O texto da reportagem reproduz a fala do presidente da Andifes, Edward Madureira Brasil, e não veicula qualquer posicionamento da administração superior da UFU. O Pró-Reitor de Planejamento e Administração figura de modo muito tímido no texto, servindo apenas como uma voz de autoridade, para confirmar o valor previsto do corte.


Onde está o reitor da universidade? Onde estão os Pró-Reitores desta administração quando o MEC anuncia tal absurdo? A comunidade universitária definitivamente precisa compreender como os cortes anunciados afetarão a vida dos docentes, dos discentes, dos técnicos e da cidade. O que perderemos, de fato, com esses 21 milhões a menos? Quais riscos corre a educação pública por causa da insanidade e falta de gestão do MEC? Afinal, por que a Reitoria/UFU tem medo de se posicionar sobre o assunto?


É bom lembrar que a consulta eleitoral para a Reitoria/UFU ocorre no dia 17 do próximo mês. Assim como os cortes orçamentários, a inscrição das chapas concorrentes aconteceu nos últimos dias. Será que existem candidatos com receio de denunciar o desmonte orquestrado pelo MEC? Um posicionamento expresso contra o MEC e de combate às insanidades do governo federal retiraria votos? No fim de contas, é estratégico, neste contexto, denunciar as atrocidades de Bolsonaro?


Sendo estratégico ou não, seria a postura esperada de quem diz defender a universidade pública e socialmente referenciada como a que conhecemos hoje. 


Isley Borges - Jornalista da ADUFU

*Esta seção é dedicada à exposição da opinião pessoal e das análises profissionais dos jornalistas da ADUFU-SS