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Exílio e ditadura são temas de Flores Arrancadas à Névoa, espetáculo que retorna aos palcos uberlandenses na programação do CITU

06/09/2019

Flores Arrancadas à Névoa, com direção de Ana Carneiro, é encenada pelo grupo Flores de Teatro, formado por atrizes, atores e professoras do Curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia - UFU. A montagem que teve início em 2015, por meio do edital PIAC - UFU, percorreu em 2017 as cidades de Ituiutaba, Monte Carmelo e Patos de Minas. E em 2018 foi selecionada por meio do Edital 68 Cultural da ADUFU, integrando o evento Memórias e Esquecimentos: 50 anos de 1968 com apresentações no Palco de Arte em Uberlândia.

 

Agora novamente em cartaz nos dias 14 e 15 de setembro compõe a programação do Circuito Independente do Teatro de Uberlândia, o CITU. Uma iniciativa de formação de público e espectador realizada de modo totalmente independente pelos artistas locais, que tem como foco compor uma grade de programação contínua e diversificada para a cidade. O Circuito começou em maio deste ano e segue até dezembro, como uma peça diferente a cada final de semana. As apresentações acontecem todas na Sede do Grupontapé, grande apoiador do movimento.

 

Em Flores Arrancadas à Névoa, o autor nos apresenta por meio da trajetória de duas mulheres, Raquel e Aída, o caminhar sem tréguas de quem é obrigado a se exilar, a partir e atravessar fronteiras e alfândegas, deixando pedaços de si no duro trajeto. Um encontro ocasional em uma estação de trem une essas duas vidas, que têm agora apenas suas memórias e a perpétua ação de caminhar que as direciona para longe de sua terra, de sua cultura, de si mesmas, encontrando apenas a eterna sensação de não pertencimento e de não reconhecimento, do se sentir estranh(o/a)/estrangeir(o/a) onde quer que se passe a viver.  A trilha sonora é executada pela figura mascarada e típica da cultura-latino-americana, que integra a cena de forma pontual.  

 

No contexto desses exílios é que podemos situar o espetáculo Flores arrancadas à névoa. Escrito por Arístedes Vargas, ele mesmo um exilado que partiu de Mendoza, na Argentina, no ano de 1975, fugindo de um golpe militar que já tornara “desaparecidos” estudantes da Universidad de Cuyo, onde estudava. Por todo esse conhecimento e experiência, Arístedes Vargas é um dramaturgo que tem como tema mais amplo o conceito de pátria e uma permanente e problematizadora reflexão sobre identidade e transterritorialidade. As questões do exílio, portanto, são pontuais e constantes em sua obra. 

 

Fruto de sua amarga experiência pessoal, Flores arrancadas à névoa, apresenta a trajetória de duas personagens que, assim como o autor, assim como milhares de exilados latino-americanos, que atravessam fronteiras, estão condenadas a viverem em uma névoa, fora de seus lugares, vagando, arrancadas de si mesmas, como expresso pela personagem Aída, quando esta diz que: “Não podemos voltar... somos gente e acima de tudo, estrangeiras: todos nos olham, é certo, como se olham os tontos, com certa vergonha e desprezo e ninguém nos quer ter em suas casas porque ninguém tolera nosso cheiro, porque falamos de outra maneira, porque somos negros, brancos, vermelhos, azuis, porém, sobretudo, porque somos pobres...”

 

O Grupo

O Grupo Flores de Teatro surge no interior da UFU com a realização da montagem  Flores Arrancadas à Névoa, de Arístides Vargas, tem origem nos interesses e na aproximação dos trabalhos de pesquisa sobre teatro latino-americano e máscaras, realizadas pelas professoras Ana Carneiro e Vilma Leite. Fatores os quais somaram-se a tradução do texto feita por Luiz Carlos Leite, técnico de dramaturgia do Curso de Teatro, à paixão pelo teatro que perpassa todos e os une a atriz Maria De Maria, convidada a integrar o grupo em 2016, e a temática da peça, pelos aspectos sócio-políticos nitidamente presentes no seu interior. Por último soma-se à cena o ator e técnico Luciano Pacchioni, que também cuida minuciosamente do aspecto sonoro da montagem. Todo o seu desenvolvimento se fez por meio de um processo lento, longo e prazeroso, iniciado em 2015, que desde sempre contou com a parceria de estudantes e técnicos do Curso de Teatro tanto nos aspectos criativos da cena, como a movimentação corporal das atrizes e do ator mascarado, a concepção visual do espetáculo, a iluminação e a sonoridade da mesma, como no que diz respeito ao registro imagético das diferentes etapas do trabalho, por meio de fotos e vídeos. Todo esse trânsito entre as docentes-atrizes, os técnicos e os discentes é para nós um verdadeiro processo de investigação que nos permite a interação e a troca de diferentes saberes, independentemente dos papeis iniciais de cada um dentro do contexto universitário.

 

Equipe Técnica

Texto: Arístides Vargas Tradução: Luiz Carlos Leite Direção: Ana Carneiro Elenco: Vilma Campos e Maria De Maria Figurinos: Letz Pinheiro Cenografia: Edu Silva Preparação Corporal: Ana Carolina Tannús Iluminação, Operação e Fotografia: Luciano Pacchioni Assistente de produção: Verônica Bizinoto Produção: Maria De Maria Registro videográfico: Alessandro Carvalho APOIO: LIE, LICA, LAPET, LAACENICAS, CÊNICALUZ e ADUFU.                                             

Serviço

O quê: Espetáculo “Flores Arrancadas à Névoa"

Quem: Grupo Flores de Teatro

Quando: Datas das apresentações no CITU 2019: dias 14 e 15 de setembro de 2019

Horário: sábado e domingo às 19h

Onde: Teatro da Escola Livre do Grupontapé

Gênero: Adulto

Classificação etária: recomendação a partir de 12 anos

Contato: Maria De Maria| 34 991810890 | mariademariaatriz@gmail.com