ADUFU - Seção Sindical do ANDES
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Artigo: POR UM CONGRESSO DE AVALIAÇÃO E REFUNDAÇÃO DA ADUFU!

20/06/2011

POR UM CONGRESSO DE AVALIAÇÃO E REFUNDAÇÃO DA ADUFU!

Edilson José Graciollii

 

 Quem acompanha minimamente a vida da Adufu sabe que, há pelo menos 18 anos, a associação dos docentes da UFU, criada em 1979, dois anos antes da criação da ANDES (depois transformada em sindicato nacional), vive uma prolongada crise de participação dos docentes, provavelmente sintoma da perda de representatividade, legitimidade e credibilidade.

Os indicadores disso são vários: reiterada dificuldade em se formar chapa para a eleição da Diretoria Executiva, vagas não ocupadas de representantes na Direção Colegiada, assembleias gerais esvaziadas, reduzido número de votantes nas eleições locais e nacionais. Desde que aqui cheguei, em 1993, apenas em duas oportunidades não foi necessário publicar edital de convocação de eleições mais de uma vez. O fundo do poço parece ter chegado agora: após três editais convocando eleições para a Diretoria Executiva, duas chapas tentaram se inscrever e, mediante supostas irregularidades, a Comissão Eleitoral indeferiu ambos requerimentos.

Se, de um lado, é sempre importante reafirmar a importância histórica da Adufu nas lutas por uma universidade pública, democrática, de qualidade, gratuita e laica e de seu protagonismo no movimento docente em decisivos momentos (como as mobilizações e greves no final dos anos 1980, no início da década de 1990 e na greve de 2001, ou na resistência ao autoritarismo e projetos elitistas dentro da UFU), não há, de outro, como negar que a crise é profunda, grave e requer coragem para ser superada. A rigor, há muito tempo que a Adufu sequer se credencia para dar continuidade ao que representou no passado.

Não nos faltam razões para nos colocarmos em movimento à reconstrução da entidade, na perspectiva de que ela volte a ser espaço de identidade dos docentes da UFU, instrumento de mobilização da categoria e do projeto de universidade que formos capazes de elaborar – sempre em consonância com o que professores e professoras apontarem como o correto. Das condições de trabalho docente e dos modelos de financiamento das atividades de ensino, pesquisa e extensão ao novo perfil da categoria docente, profundamente alterado pelas modalidades de privatização da universidade e pelo ingresso de centenas de colegas nos últimos anos, sobram situações que exigem a articulação coletiva de interesses que nos unificam como profissionais do sistema federal de ensino superior. Mas isso não garante, por si só, que a Adufu volte a ser referência, espaço, instrumento e laboratório de práticas e reflexões para e dos professores.

Perguntas delicadas, mas inadiáveis, deveriam constar na agenda da Adufu no próximo período (sem prejuízo de outras, quem sabe até mesmo mais relevantes) tais como:

1. As formas de ser de nosso sindicato, local e nacionalmente falando, são as que hoje respondem às necessidades e expectativas da categoria docente? Se sim, por que se amplia o distanciamento dos docentes em relação à Adufu?

2. Devemos, ou não, permanecer como seção sindical do ANDES-SN?

3. Se continuarmos como seção sindical do ANDES-SN, o que isto significará em termos de atuação por dentro da entidade nacional? Esse horizonte nos permite vislumbrar uma retomada, inclusive em patamares superiores ao que houve anos atrás, da participação dos docentes na vida do sindicato?

4. Se não continuarmos como seção sindical do ANDES-SN, que caminho seguir? Sindicato local seria uma alternativa face ao fato de que o interlocutor é o governo federal? Uma federação de sindicatos locais não seria muito parecida com o que hoje é o ANDES-SN?

5. Que sindicato queremos ser? Ou já não faz sentido haver sindicato, mas – dependendo das concepções – a Adufu deve se assumir como 1) gestora de plano de saúde, 2) aparelho a serviço de grupos ou partidos políticos, 3) palanque para oposição sistemática a tudo o que vier do governo federal, 4) frente única dos “SPFs” (universo supostamente homogêneo, da alta burocracia estatal aos assalariados de Estado que atuam nas chamadas áreas sociais)?

6. A quem interessa não enfrentar estas e outras questões que poderiam, se enfrentadas, nos abrir uma luz no fim do túnel em que nos encontramos?

Por um congresso de avaliação e refundação da Adufu!

Uberlândia, 20 de junho de 2011.
 

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i Professor do Instituto de Ciências Sociais da UFU; vice-presidente da Adufu entre 2000-2002 e 2009-2011 e membro da Direção Colegiada por outros nove anos.