ADUFU - Seção Sindical do ANDES
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ANÁLISE DE CONJUNTURA

30/08/2011

ANÁLISE DE CONJUNTURA


Caros colegas professores da UFU,

Segue abaixo cópia de mensagem que enviei à lista da corrente sindical da qual participo - Andes Autônoma e Democrática - contendo apreciação sobre a assinatura do acordo pelo ANDES-SN com o governo a partir de análise de conjuntura, como contribuição ao debate da Assembléia da ADUFU da quinta-feira, dia 1.º de setembro.

Prof. Paulo Gomes
Economia UFU

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Compas,

As mensagens enviadas pelo companheiro Daniel, do Recife, tratam das contradições que perpassam o nosso movimento a partir da assinatura do acordo do ANDES com o governo. Expõem a justa indignação de uma boa parte da base docente com essa decisão que, na aparência, aproximarnos-ia do Proifes.

Ocorre que mundialmente mudou a conjuntura, há ascenço do movimento de massas. Se essa percepção é mais difícil em países como o Brasil, onde a dominação burguesa-imperialista se exerce de forma muito sofisticada desde a posse do governo Lula (não seria a nossa "vocação" subimperialista?), ela incide também fortemente sobre nós, porque sobre nós também incide a crise capitalista. Repetir o mesmo posicionamento dos anos recentes, que expressavam a resistência possível num momento de forte defensiva do movimento de massas, seria não atentar para essa mudança.

A decisão tomada exprimiu, no confronto com a outra possibilidade (ambas não infligiam a democracia do movimento), diferentemente dos últimos anos, a forma mais avançada de concentrar as nossas forças para as batalhas que virão. E mais avançada porque mais próxima da representatividade indicada neste momento pela nossa base, das perspectivas difíceis de construção de uma greve massiva. Representatividade vista plenamente, ou seja levando em consideração inclusive o número e a representatividade nas seções sindicais capturadas pelo Proifes.

Este é que sai derrotado com a decisão do ANDES, e Gil e Rolim sabem disso. A lucidez contida em suas análises de que o acordo assinado é ruim e por isso
sinalizam para a necessidade de mobilização dos docentes, é sinal de desespero de dirigentes burocratas que vêm o chão fugindo de seus pés. Porque o projeto deles de desmobilização da nossa base para adequação à ordem capitalista neoliberal não se sustenta nessa conjuntura que indica para os trabalhadores a consequência para as nossas vidas da manutenção dessa ordem, o que o ANDES sempre alertou.

Não nos deve surpreender, no entanto, que a derrota do Proifes, não seja a vitória automática do ANDES, no contexto em que se denvolve a luta de classes e das massas no Brasil e especificamente no nosso movimento. A posição da diretoria da ADUFEPE parece-me que é a mais consequente para esses setores que sempre combateram os princípios de autonomia e democracia no movimento sindical. Se estou correto, o que vamos enfrentar daqui para a frente não é mais o Proifes mas a proposta de federação de sindicatos em substituição ao ANDES, que virá mascarada de algo nem ANDES nem Proifes, na verdade a realização em outras bases da visão estratégica do Proifes na nova conjuntura.

Mas nem por isso consideremos a derrota do Proifes pouca coisa. É expressão de uma luta muito difícil que travamos desde 1998/2001. O momento que me parece mais importante é a greve de 2001. Poucas vezes se viu uma mobilização tão grande, tão unitária, tão extensiva, tão politizada de nossa base no combate à precarização de nossos salários e nosso trabalho e aos desmandos da política educacional do governo neoliberal de FHC, mobilização possível também porque sob a firme direção política da corrente Andes-AD que recuperara a direção do ANDES após o desastre da gestão dos atuais proifianos. Após quatro ou cinco meses de fortíssima greve, com os docentes enfrentando inclusive corte dos salários, o governo mostra força ao não atender elementos centrais da nossa pauta, reafirmando o caráter neoliberal de sua política.

É neste momento que um importante número de professores pensa em não fazer mais greve, em sucumbir ao individualismo, ao empreendedorismo, ao produtivismo, à ordem enfim que lhes é imposta, de resto como o conjunto da classe trabalhadora. É sobre esse sentimento que o Proifes vai nascer. A conjuntura atual é potencialmente mais difícll que a que eu acabo de me referir. Vão-se as ilusões do neoliberalismo, mas fica a percepção da força da dominação burguesa-imperialista. Por isso ainda a dificuldade de construir mobilizações massivas, greves massivas. Tem-se ainda que recuperar o sentimento em nossa categoria que fundou o nosso movimento em uma conjuntura muito diversa.

O ato de assinatura do acordo pelo ANDES, justamente pelo arrocho salarial imediato que ele sanciona, se pode gerar dúvida quanto a manutenção do caráter do nosso Sindicato (já aceita o menos ruim?), na nova conjuntura exprimiu na verdade a afirmação de uma coerência fundamental ao longo das negociações em todos esses últimos anos: a prevalência de uma visão estratégica sobre os ganhos imediatos. O artigo do acordo no qual insistimos que o acordo é sobre uma pauta emergencial e que não expressa renúncia do Sindicato à continuidade da luta pela nossa pauta de reivindicações não é pouca coisa e esteve corretíssima a reunião do setor das federais ao fincar pé nesse ponto, dentro da concepção que privilegia a consideração dos elementos estruturais que conformam as possibilidades de ganhos salariais e de carreira, assim como na não exclusão do sindicato cuja base está em greve - o SINASEFE - das mesas futuras de negociações como queria o Governo (e o Proifes).

Saudações autônomas e democráticas,

Prof. Paulo Gomes
Economia UFU