ADUFU - Seção Sindical do ANDES
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Adufu pela “base” ou Adufu “(atro) pela” a base?

09/10/2009

Adufu pela “base” ou Adufu “(atro)pela” a base?

Em reuniões da Diretoria e da Colegiada, que antecederam a Assembléia Geral que indicaria os delegados a participarem do CONAD, em Curitiba, foi posto em discussão a otimização da representação de dois delegados com a justificativa de que não havia dinheiro suficiente, que a ADUFU estava “quebrada” (segundo depoimento de um dos membros da Diretoria).

Até aí concordamos, ninguém quer se manifestar pela ida de “muitos” delegados a um Congresso com o sindicato sem dinheiro. Entretanto, a história não é bem assim. Em primeiro lugar, a Adufu não estava quebrada, isso foi uma manobra para que em colegiada fosse aprovado um número mínimo de delegados; em segundo lugar, cabe um contundente questionamento sobre este modelo de representatividade no qual a base é representada somente por membros da direção da atual gestão da Adufu. Como então entender o gasto com certos novos programas implementados pela atual diretoria da Adufu (p. ex.: a foto chocante do “Café Confessor”, publicada no nº 1 do Jornal Clarins da Adufu, onde é patente a “fartura” e clima de festa, quando a massa de trabalhadores não tem nada ou só tem pão francês no café da manhã, quando os alunos pagam mais de $R 3,00 no RU da UFU)?

A direção (tendenciosamente) e a colegiada indicaram o nome da Presidenta e do Vice-presidente como representantes da base (Sic!). Ora, a Adufu, historicamente, tem enviado o máximo de delegados possíveis, visando tanto à representação da base quanto à formação política destes representantes. No mínimo o que se esperaria desta nova diretoria “pela base” é que fosse um representante da Diretoria e outro da base. Pois então, gente, que base é esta? A atual diretoria da Adufu está pela base ou (atro)pela a base? A quem realmente representa a diretoria autodenominada Adufu pela base? Que “base” é essa? À base do Pro-sucessão?

As evidências indicam que a atual gestão da Adufu (atro)pela a base, a gestão democrática tanto alardeada não passa de mero jargão. É inconcebível imaginarmos um sindicato que rejeita a heterogeneidade de posicionamentos e busque a todo custo unanimidade. A unanimidade, já dizia Nelson Rodrigues, é burra. Outra evidência que demonstra que a atual gestão da Adufu (atro)pela a base é que a participação nas reuniões setoriais do ANDES/SN tem sido uma prerrogativa exclusiva dos “capas” da diretoria. Quem foi que decidiu por isso e onde? Essa decisão desastrosa, centralizadora e antidemocrática foi decidida alhures longe da base e deve ter sido inspirada por algum espírito iluminado, que entende que a base serve apenas para referendar aquilo que já foi decidido.

Chama atenção para o contexto da Adufu, o fato de nossa seção sindical estar totalmente aparelhada. Não é difícil entender a quem realmente representa a atual diretoria. De um lado, temos a influência nociva “de um quadro/figura petista”, que vê a UFU e o Sindicato como instrumentos interessantes para a manutenção de um curral eleitoral. Não duvidamos do empenho desta diretoria para representar à base do Pro-sucessão de modo a catapultar um candidato para a próxima sucessão do reitor da UFU. De outro, temos a turma dos dentistas. Dentistas? Sim, é o pessoal que adora uma boquinha e que faz parte da antiga gestão da universidade.

A conseqüência disso tudo é que está ocorrendo um processo de personificação da seção sindical. Bem entendido, trata-se da imposição de relações pessoais pautadas por relações de lealdade/dependência entre o Chefe (burocrata sindical) e o associado (trabalhador sindicalizado): um clientelismo político vergonhoso reproduzido no meio sindical, com troca de favores e manutenção de privilégios dos considerados “chefes”. A corrupção e o cretinismo sindical é conseqüência da prática desse tipo de relação social. A reprodução dessa prática aparece solapada num discurso “anti-neoliberal” e “revolucionário”.

Esse tipo de relação social vigorou nas sociedades escravista e feudal (domínio do senhor de escravos sobre o escravo; domínio do senhor feudal sobre o servo). É sobejamente conhecido que no Brasil tais relações foram dominantes até o surgimento da República e solapada no período republicano com aquilo que se conhece como “colonato”, mais conhecido nas regiões onde vigora o grande latifúndio como “relações coronelistas” (Triangulo Mineiro etc.). O capital se apropriou desse tipo de relações para impor sua dominação, agrilhoar o trabalhador direto e para se reproduzir em escala ampliada.

A centralização da gestão, a imposição de idéias, a falta de senso crítico e ético indica que a atual gestão é fantochizada. E o que mais deprime é saber que tudo isso vem sendo feito através de um discurso dominante que se apóia em base marxista. Agrilhoar professor e aluno nas relações de lealdade/dependência e perseguir professor/trabalhador que não reza a cartilha dos auto-denominados chefes? Não esqueçamos: tais relações refletem o gosto desenfreado pelo poder de alguns professores e dirigentes sindicais, o fetichismo do poder, que é constitutivo da pequena burguesia e das camadas médias. No plano sindical, a prática desse tipo de relação tem variadas formas. Lembremos somente o sindicalismo de Estado e o sindicalismo propositivo de cunho neoliberal; este último é uma variante do sindicalismo trade-unionista. Na prática, a atual diretoria da Adufu está defendendo, no mínimo, um sindicalismo propositivo trade-unionista. Nesse sentido, qual a diferença entre a “Adufu pela base” e o Proifes? Já Lênin alertava: cuidado com os oportunistas!!; estes se utilizam de um jargão “revolucionário” para enganar o povo. Antes de Lênin, Marx tinha alertado em a 2ª Tese sobre Feuerbacho critério da comprovação da verdade é a prática e não o discurso.

Outro elemento, que a princípio parece pouco relevante é que uma instituição sem dinheiro não produz determinadas atividades que não sejam auto-sustentáveis. A atual diretoria da Adufu neste sentido cometeu um severo erro. O primeiro em sua divulgação de orçamento restrito, conforme anunciando anteriormente, o segundo um erro ecológico deplorável.

Do que falamos?

Trata-se do convite que acabamos de receber em nossas residências. Retiramos na caixa de correio um impresso extremamente luxuoso, papel de primeira linha, não degradável. Pensamos a princípio ser uma propaganda de lojas de conveniência, de bancos, de empresas de empréstimos... Eis a surpresa! Era um convite para o baile dos professores da ADUFU. Um convite de “grego”, diga-se de passagem, pois todos os filiados terão que pagar. Mais uma vez os questionamentos nos perseguem: 1º- quando foi que a base definiu que na homenagem ao dias dos professores tem que se fazer baile? ; 2º - Se é um baile para comemorar o dia dos professores, por que para ter acesso ao “evento” é necessário pagar? O dinheiro que é pago mensalmente poderia muito bem cobrir essas despesas.

O que deve comemorar nosso sindicato? Por que a festa? (ver também o título da convocação da Adufu: “Assembléia Geral Festiva”). A vitória do Lula e sua equipe corrupta sobre a sede das Olimpíadas de 2016? O circo das “Caravanas da anistia política” num país onde nenhum general ou coronel (ou soldado simples) foi julgado e detido por crimes políticos e comuns na ditadura militar?

Festas são importantes, mas a formação política é essencial e precede à primeira. Um sindicato antenado com os atuais problemas mundiais de clima/ecologia não deveria ter feito/pago um impresso como este. Além de caro é danoso ao nosso ecossistema; isso não foi ponderado no GTPAMA?

Não bastasse isto, utilizam de forma equivocada um verso do Chico Buarque no convite para o baile dos professores. O verso que transcrevo em seguida tem sentido dentro de determinado contexto musical, para um sindicato articulado aos movimentos sociais e populares não tem sentido. O verso utilizado pela atual diretoria no convite é o seguinte: “Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar. Amanhã tudo volta ao normal”. Não volta não senhores sindicalistas “de carona”. Qualquer sociólogo de razoável formação sabe que o amanhã não será o mesmo. O amanhã pode ser melhor ou pior. E como referencia Brechet em seu “O hoje e o jamais”: “Quem reconhece a situação, como pode calar-se?”.

Outra coisa que nos chamou atenção no convite é que a ADUFU vai dar máscaras a todos aqueles que forem ao baile. Que lindo! A diretoria também apresenta como sugestão que todos usem traje social em Branco e Preto; todos fantasiados de pingüins. O problema é que usando máscara não vai dar para “amarrar os bigodes”.

Finalmente, não surpreende o silencio da atual diretoria da Adufu em relação à gestão da nova reitoria, o que reflete uma vergonhosa conciliação. O que demonstra esse silêncio? Quais as ações e lutas concretas da diretoria em relação à política da atual reitoria, aos problemas mais prementes da UFU, aos problemas do conjunto das federais, bem como da política educativa do governo Lula? Relembremos, para além da “verborréia revolucionária” de alguns dirigentes sindicais a “Adufu pela base” é a base do Pro-sucessão e esta é petista. Não espanta saber o conservadorismo desses professores e dirigentes sindicais.

 

Saudações sindicais,

Por um sindicato realmente pela Base.

Prof. Antonio Bosco de Lima (FACED/UFU)

Prof. Antônio Cláudio Moreira Costa (FACED/UFU)

Prof. Aldo Duran Gil (FAFCS/UFU)