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O DILEMA DO PT

08/09/2009

O DILEMA DO PT


                O Panorama político brasileiro, neste ano que antecede as eleições, mostra-se desconfortável para o PT que já se transfigurou, até no bom sentido, a partir do momento que suas chances reais de eleição para presidente tornaram-se factíveis; desde então o candidato Lula compreendeu que deveria melhorar o seu visual, não apenas trajando ternos bem cortados, mas mudando principalmente a sua antiga aparência que mais lembrava o Brutus, o desajeitado inimigo do Popeye.
                Para ganhar a confiança dos mercados o PT de certa forma abdicou de algumas de suas bandeiras históricas ainda ligadas a velha esquerda que hoje já não encontra espaço no mundo moderno.
                Uma vez no poder Lula esbanjou sabedoria compondo o seu ministério de maneira eclética, procurando aliar a competência e, o atendimento principalmente aos interesses do PMDB, partido especialista em se compor com o governo estabelecido e com apetite voraz no atendimento das suas várias correntes se é que se pode assim chamar os seus diversos agrupamentos de políticos que se perpetuam no mandonismo local.
                O PT ao sofrer todas as suas transformações, superou com galhardia o fatídico episódio do “Mensalão” e conseguiu reeleger o presidente Lula, mas muito se apequenou perante a figura comunicativa do Lula. Tanto é verdade que Lula saca do bolso do colete a sua candidata a presidente desconhecendo os “caciques” e as práticas de amplas discussões no partido para lançamento de candidatos. Isto de certa maneira frustra e esclerosa um partido jovem que sempre abominou as práticas centralizadoras, apesar de por sua gênese compreendê-las e aceitá-las, vide os exemplos de Zé Dirceu e Delúbio enquanto líderes.
                Na travessia das dificuldades Lula e o seu partido tiveram que sacrificar algumas figuras carimbadas que foram colocadas no ostracismo temporário para que a caravana atingisse novamente o Planalto e apregoasse que não compactuava com velha política, quando descoberta é claro.
                O dilema colocado ao PT é novamente de ordem ética, só que agora não envolvendo diretamente os membros do partido, mas o que é pior os seus aliados necessários para obter a governabilidade e principalmente suavizar o Senado onde a correlação de forças é bastante desfavorável ao governo.
                Lula não é mais candidato então pode jogar lastro fora e, de toda forma procura controlar o seu partido - ávido por permanecer no poder - até pela autoridade que o povo lhe confere, sugerindo composições nos estados durante as próximas eleições o que engessa e desestimula ainda mais as novas lideranças.
                O PT não se junta ao coro dos que querem uma limpeza no Senado porque seguem o seu principal “cacique” na tentativa de manter o PMDB próximo para continuar no Planalto, mas sabem que haverá um alto preço a ser pago principalmente nos dois principais colégios eleitorais, Minas e São Paulo e a grande derrota do PT poderá se dar nestes dois estados principalmente.
 
Prof. Euclídes Honório Araújo
Eng. Química UFU